Semiótica viciada: identidade do usuário X identidade institucional.

Lendo um artigo no site da Terra Forum, empresa de consultoria em gestão do conhecimento, percebi um vício de semiótica que os comunicadores em geral costumam ter e já vou explicar qual . No artigo, o Doutor José Claudio Terra,  diz que a identidade visual do site transmite informações sobre o caráter da empresa, ou sobre o seu posicionamento na sociedade, sendo que instituições sérias como empresas de grande porte e de operacionalização complexa, têm sites mais sóbrios e com uma disposição de cores e elementos visuais mais sérios, ao passo que sites infantis ou de entretenimento permitem uma maior liberdade autoral e um conceito imagético mais alegre, dinâmico, feliz.


Até aí nada de novo ou nada de errado. Quem estudou um pouco de teoria da comunicação, lembra da parábola de Umberto Eco, quando ele diz que o hábito faz o monge, e que, evidentemente, nos comunicamos através da nossa apresentação visual. O que eu quero contestar neste post, é o fato de algumas instituições incorporarem uma identidade visual, ou retórica, que corresponde a sua tradição, ou conteúdo, mas que não fazem parte do imaginário social do público que pretende atingir, fracassando em seus objetivos.

Será que um banco necessita ter uma identidade visual séria, sombria? Qual é o objetivo da mensagem? Dizer que  tratar de assuntos financeiros é monótono, burocrático e complicado? Pode até ser, mas o banco com certeza teria resultados muito mais efetivos se tratasse o assunto de uma forma natural e descontraída, enfatizando os benefícios práticos dos seus produtos e serviços. Tanto é, que prestando um pouco mais de atenção nas campanhas publicitárias de intituições financeiras, vemos que o discurso anda bem mais descontraído e direcionado ao público, principalmente através de mídias digitais(quem lembra do sou assim e sou feliz do HSBC?).

O que será que é mais importante? O conceito social de uma empresa ou os objetivos que ela pretende alcançar? A resposta é: Os dois! Até porque, tratando-se de comunicação, a identidade comunicacional de uma insituição está diretamente relacionada com os objetivos que ela alcança ou deixa de alcançar.

Para acabar com esta disputa entre a identidade que a empresa ostenta e a que o usuário prefere, é preciso acabar com vícios característicos do estudo da semiótica, de determinar que um segmento X é sério e o segmento Y é leve, descontraído. O que deve determinar o conceito comunicacional de uma empresa são os aspectos  culturais e necessidades dos seus receptores (leia-se usuários), e o resultado que se espera obter deles, assim como em qualquer processo comunicativo.


Com base nisto, a partir de agora, vou defender sites de seguro  funerário com piadinhas de duplo-sentido.

 

 

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Esta página contém uma entrada simples de Vinícius Krause publicada em April 7, 2008 8:27 PM.

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