April 2008 Archives
Credo! Em primeiro lugar vamos definir os conceitos usados no título. Edição é o processo de seleção de informações para uma melhor adequação em um espaço restrito, seja este espaço visual, sonoro ou outro canal qualquer de informação. Mídias não- lineares são o oposto de mídias-lineares. Óbvio não? Não. Mídias lineares são aquelas em que temos um caminho pré-definido a percorrer no processo de recepção da informação. É o caso da televisão, jornal, revistas, rádio, enfim, qualquer meio em que as informações vêm em uma sequência definida pelo próprio meio, definida pela pessoa do editor.
Quando falamos de mídias não-lineares (Internet, CD-ROM etc.) o receptor tem uma série de caminhos a seguir a partir de um ponto inicial que são definidos por ele próprio. Contudo, o site bem planejado terá uma estrutra que conduza o usuário a absorver as informações necessárias à ele da forma mais rápida e eficiente possível. Esta indução será planejada pelo arquiteto de informação,logo ele irá definir onde estarão os maiores focos de interesse do site e conduzir os usuários por eles, lembrando que, os pontos de interesse podem variar de pessoa para pessoa.
Falando de resultados, toda mídia seja ela impressa, digital, televisiva, radiofônica, têm objetivos e esperam por resultados. Sendo que os resultados são o fim comum dos meios de comunicação, estes devem pensar o máximo possível na reação do receptor frente as informações que este meio produz. Se no caso das mídias lineares esta reação é planejada pelo editor, nos meios não-lineares ela será pensada também pelo arquiteto de informação.
Também porque papel do editor não está obsoleto quando se trata de informações digitais. Mais nestes meios de comunicação, o entendimento do usuário está sujeito a sequência de informações que ele acessa, uma vez que essa sequência não é fechada e inviolável como na TV por exemplo. Portanto, a clara compreensão das informações de um site pelo usuário, é responsabilidade compartilhada pelo editor e pelo arquiteto de informação.
Lendo um artigo no site da Terra Forum, empresa de consultoria em gestão do conhecimento, percebi um vício de semiótica que os comunicadores em geral costumam ter e já vou explicar qual . No artigo, o Doutor José Claudio Terra, diz que a identidade visual do site transmite informações sobre o caráter da empresa, ou sobre o seu posicionamento na sociedade, sendo que instituições sérias como empresas de grande porte e de operacionalização complexa, têm sites mais sóbrios e com uma disposição de cores e elementos visuais mais sérios, ao passo que sites infantis ou de entretenimento permitem uma maior liberdade autoral e um conceito imagético mais alegre, dinâmico, feliz.
Até aí nada de novo ou nada de errado. Quem estudou um pouco de teoria da comunicação, lembra da parábola de Umberto Eco, quando ele diz que o hábito faz o monge, e que, evidentemente, nos comunicamos através da nossa apresentação visual. O que eu quero contestar neste post, é o fato de algumas instituições incorporarem uma identidade visual, ou retórica, que corresponde a sua tradição, ou conteúdo, mas que não fazem parte do imaginário social do público que pretende atingir, fracassando em seus objetivos.
Será que um banco necessita ter uma identidade visual séria, sombria? Qual é o objetivo da mensagem? Dizer que tratar de assuntos financeiros é monótono, burocrático e complicado? Pode até ser, mas o banco com certeza teria resultados muito mais efetivos se tratasse o assunto de uma forma natural e descontraída, enfatizando os benefícios práticos dos seus produtos e serviços. Tanto é, que prestando um pouco mais de atenção nas campanhas publicitárias de intituições financeiras, vemos que o discurso anda bem mais descontraído e direcionado ao público, principalmente através de mídias digitais(quem lembra do sou assim e sou feliz do HSBC?).
O que será que é mais importante? O conceito social de uma empresa ou os objetivos que ela pretende alcançar? A resposta é: Os dois! Até porque, tratando-se de comunicação, a identidade comunicacional de uma insituição está diretamente relacionada com os objetivos que ela alcança ou deixa de alcançar.
Para acabar com esta disputa entre a identidade que a empresa ostenta e a que o usuário prefere, é preciso acabar com vícios característicos do estudo da semiótica, de determinar que um segmento X é sério e o segmento Y é leve, descontraído. O que deve determinar o conceito comunicacional de uma empresa são os aspectos culturais e necessidades dos seus receptores (leia-se usuários), e o resultado que se espera obter deles, assim como em qualquer processo comunicativo.
Com base nisto, a partir de agora, vou defender sites de seguro funerário com piadinhas de duplo-sentido.
