February 2008 Archives
Um bom site é aquele que não precisa de mapa. Por mais complexo que seja o conteúdo, a organização inteligente deste tem que ser o suficiente para que o usuário possa encontrar o que necessita sem pensar: "é, vou ter que olhar o mapa, porque por aqui está difícil", ora se está difícil, é porque está ruim, se está ruim é porque precisa ser modificado.
O mapa do site deve ser uma ferramenta usada pelo arquiteto de informação para organizar os conceitos e gerenciar o conteúdo a partir de um rol de dados organizados. A partir deste mapa instrumental é que se deve planejar a disposição dos elementos na página de forma que estes fiquem ainda mais inteligíveis do que no mapa inicial. O site map serve para suprir uma deficiência, mas se podemos curar o paralítico para que preocupar-se com a muleta?
Excetuando sinais de fumaça, desenhinhos rudimentares e grunhidos, a linguagem da fala e da escrita é a maneira mais primária de comunicação entre os seres humanos. Tão primária (estruturalisticamente falando) que apesar das vertiginosas alterações no mercado da comunicação, ainda não se inventou algo que substituísse efetivamente o uso de palavras. Evidentemente, informações chaves para determinadas ações já podem ser representadas por signos (imagine um sinal de trânsito luminoso onde alternassem as palavras "pare, atenção e passe"), mas informação consistente, coesa e de significado minimamente complexo depende de argumentação permeada por conceitos linguísticos para ser entendida.
Quando se fala em parâmetros mundiais, a língua é o maior desafio da arquitetura de informação. Mas em padrões regionais, ela também pode representar grandes problemas. Segundo o CETIC, mais de 58% dos usuários de internet no Brasil têm entre 18 e 24 anos, sendo que os níveis de analfabetismo funcional apresentam seus maiores índices nessa faixa de idade, o que comprova que o nível linguístico-cultural do usuário não é lá uma maravilha. O redator de um site deve produzir seus textos segundo alguns parâmetros básicos da arquitetura de informação para que não hajam problemas relacionados tanto pelo vocabulário limitado da maioria dos usuários, quanto pela utilização de termos técnicos, neologismos e uma infinidade de "tralhas" linguísticas que são resultado das constantes mudanças na sociedade.
Determinar o público alvo de um projeto de mídia (afinal, internet é o quê?) é a principal maneira de se evitar problemas linguísticos. Não se deve também ofender a inteligência do usuário usando palavras simplificadas ao extremo em lugares onde se espera um nivel cultural mais elevado deste, mas isso não justifica relativizar e usar expressões fora do padrão só para agradar. Os meios de comunicação são feitos para acrescentar algo ao receptor, não para deixá-lo mais burro ( teoricamente... )
Desde a invenção da fala que o homem se esmera em resolver seu maior problema: se comunicar. Grande parte dos problemas da humanidade seriam resolvidos em dois segundos, caso esse aspecto da vida fosse resolvido com eficiência e objetividade. Mas a pergunta que insiste em infernizar a humanidade continua na cabeça de teólogos, sociologos, jornalistas, e de uma série de outros setores da sociedade,enfim, porque as pessoas não se entendem??
A fim de ser mais uma erva daninha nessa gigantesca selva que é o pensamento humano, estou criando esse blog para dar o meu pitaco na formação desse sistema. Comunicação não é uma ciência limitada aos apelos insanos da indústria da opinião estigmatizada ou da publicidade inconsequente, mas sim, um aspecto da sobrevivência - e da experiência - humana, tão importante quanto comer, beber e se reproduzir. Se os ponteiros desse grande e descontrolado relógio que é o pensamento humano não forem acertados, e colocados em consonância de uma forma universal, estaremos condenados à extinção não pela falta de água, comida ou pelo calor escaldante causado pelo aquecimento global, mas pela falta de conhecimento e de tolerância.
Claro que essa teoria do caos é um tanto catastrófica para um primeiro post, mas a idéia é esta. Informação que não causa um efeito objetivo vale menos que uma playboy da Hortência. Nesse blog, o importante é a informação, os estragos e as maravilhas que ela pode causar dependendo das maneiras que ela pode ser produzida e interpretada. Arquitetura de informação, semiótica, linguística, antropologia cultural, literatura, filosofia, análise de linguagens midiáticas são algumas das suntuosas ferramentas que vão ser usadas nessa bendita tarefa de fazer o homem se comunicar melhor para viver melhor.
Se você é jovem e não quer ver seu filho brincando com bonecos atóxicos de "super Bin-laden X Papa-atômico - o caçador de homossexuais subversivos" é melhor começar a se preocupar melhor com o mundo em que está vivendo. Comunique-se, informe-se, aprenda. Como dizem os sábios prolóquios dos narcóticos anônimos; você não faz mais do que a sua obrigação.
